sexta-feira, 10 de fevereiro de 2017

8 bons livros sobre vocação matrimonial

por André Krupp e Tássila Maia

Muitas pessoas nos pedem indicações de livros sobre namoro, matrimônio, Teologia do Corpo, entre outros temas. Gostaríamos, então, de indicar nesse post oito bons livros que podem ajudar (e muito!) quem deseja se aprofundar nesses assuntos ou está se preparando para o matrimônio.

A primeira indicação é voltada para as mulheres solteiras. Jason e Crystalina Evert partilham um pouco de sua experiência, ajudando, assim, as mulheres a se encontrarem com Deus e consigo mesmas para, então, encontrar sua “alma gêmea” e construir um matrimônio sólido.

Como encontrar sua alma gêmea sem perder sua alma
Jason e Crystalina Evert
Editora Canção Nova



A segunda indicação é uma introdução, em linguagem simples, à Teologia do Corpo de São João Paulo II. O autor faz uma síntese do conteúdo das catequeses do papa, ajudando a compreender o plano original de Deus para o homem e a mulher e como podemos reencontrar o caminho da felicidade almejada pelo Criador.

Teologia do Corpo para principiantes – Uma introdução básica à Revolução Sexual por João Paulo II
Christopher West
Editora Myrian

Adentrando agora no tema do matrimônio, a terceira indicação é um grande resumo da doutrina da Igreja acerca deste sacramento. Pe. Matheus Pigozzo aborda o matrimônio como um chamado, uma autêntica e corajosa missão a ser assumida pelos esposos. Trata de diversos temas, do namoro aos filhos, traçando um panorama completo do matrimônio cristão.

O matrimônio cristão
Pe. Matheus Pigozzo
Editora Ecclesiae


A quarta indicação leva os leitores a uma reflexão sobre o significado do amor e o verdadeiro sentido do matrimônio, na contramão do pensamento moderno que assola a maior parte dos cristãos. Com uma linguagem clara e madura, Cormac Burke expõe com maestria as exigências centrais do matrimônio (indissolubilidade, unidade e fecundidade) e convida a uma vivência integral da vocação matrimonial.

Amor e casamento
Cormac Burke
Editora Quadrante

Ainda no tema matrimônio, a quinta indicação é uma preciosidade publicada recentemente em português. Trazendo uma visão transcendental do matrimônio, Venerável Fulton Sheen aborda o querer e o agir de Deus no matrimônio humano e provoca uma reflexão mais profunda e espiritual acerca do “Grande Mistério”.

Três para casar
Fulton Sheen
Editora Molokai


Com a sexta indicação entramos na temática dos filhos. O fantástico testemunho de Kimberly Hahn, alicerçado à sólida doutrina exposta pela autora, traz ao leitor uma nova e emocionante visão a respeito do dom da fecundidade. Não há como “passar indiferente” por este livro: a sua leitura é, simplesmente, uma experiência transformadora.

O amor que dá vida – O maravilhoso plano de Deus para o matrimônio
Kimberly Hahn
Editora Quadrante

A sétima indicação é um livro surpreendente. Longe de ser uma narrativa fria e distante, “Deus e os filhos” faz com que o leitor tenha a nítida impressão de estar em uma verdadeira direção espiritual. O autor, que consegue em um só capítulo ser enérgico, bem-humorado e terno, impulsiona a um verdadeiro combate ao egoísmo, mostrando toda a beleza de viver a vocação matrimonial com generosidade.

Deus e os filhos
J. Urteaga
Editora Quadrante

Por fim, a última indicação é um pequeno tesouro. Francisco Faus demonstra que, na difícil tarefa da formação dos filhos, os pais necessitam orientar-se pela verdade e pela virtude, educando primeira e principalmente por seu próprio exemplo.

A força do exemplo
Francisco Faus
Editora Quadrante





Boa leitura!
Deus nos abençoe e a Virgem nos proteja!

quinta-feira, 2 de fevereiro de 2017

Aprofundamento Sede Fecundos

A fecundidade é uma graça, um dom dado aos esposos para cooperarem com Deus em sua obra Criadora. Hoje, porém, esse bem tem sido atacado, banalizado e distorcido nos mais diversos meios da sociedade.
Para compreender e viver bem esse dom é preciso nos apegarmos à doutrina moral da Igreja. Só assim conseguiremos desmascarar as mentiras que tentam a todo custo nos impor. A formação torna-se, assim, imprescindível no momento atual, pois muitas são as dúvidas a respeito deste assunto: Por que a fecundidade é um bem? O que é mentalidade contraceptiva? O que as grandes fundações internacionais têm a ver com tudo isso? Por que é pecado grave usar camisinha, pílula, DIU e outros métodos contraceptivos?  O que são métodos naturais? Como e quando devo usá-los?


Por isso, no dia 19 de março deste ano, abordaremos este tema no Aprofundamento Sede Fecundos. Buscaremos trazer de forma sintética o ensinamento perene da Igreja a respeito da procriação. Você que é casado ou está se preparando para o matrimônio, não deixe de fazer a sua inscrição (AQUI) e divulgar para seus amigos e familiares!

  

sexta-feira, 27 de janeiro de 2017

Educando para o Céu

Por André Krupp e Tássila Maia

A mais nobre finalidade da vocação matrimonial é gerar santos para Deus. Para tanto, não basta simplesmente ter filhos, mas é preciso também educá-los. E educá-los segundo a fé, cumprindo de forma integral a promessa feita diante do altar. Eis aí o maior desafio do casal católico!
Gostaríamos de propor aqui não um conjunto de exercícios ou atividades educacionais, mas uma reflexão sobre a própria finalidade da educação, para que, tendo bem clara esta finalidade, o casal possa, alicerçado nela, lançar mão dos mais diversos recursos de formação humana, intelectual, afetiva e espiritual.
O objetivo final de toda a educação cristã é que os filhos vivam a santidade em sua vocação. Que eles tenham clara a realidade da vida eterna, que desejem agradar a Deus todos os dias, que se exercitem nas virtudes, que sejam desapegados do mundo e confiem piamente na providência divina. Enfim, que amem a Deus sobre todas as coisas. 

Que tenham clara a realidade da vida eterna

O céu é uma realidade, é algo concreto - não apenas uma fábula ou figura de linguagem. Teoricamente, sabemos disso. Mas, e na vida prática? Preparamo-nos para uma viagem e ansiamos pelo dia em que ela irá chegar, nos capacitamos para um emprego e ansiamos pelo dia em que o conquistaremos... assim também devemos nos preparar e ansiar pela vida eterna, pois tal como o emprego ou a viagem, a vida eterna é uma realidade. 
Entender o Céu como algo concreto ajuda a superar as dificuldades que a vida terrena nos impõe, faz-nos compreender que a cruz é passageira e que determinados problemas que tiram o sono muitas vezes não passam de futilidade. Ter em mente a verdade do Céu nos possibilita entender que podemos, sim, alcançar "coroas perecíveis" ao longo da vida, mas que a única verdadeiramente importante é aquela imperecível que nos concede a plena comunhão com a Trindade. Nossos filhos precisam aprender desde cedo a ter esse olhar sobrenatural, enxergar esta vida como um caminho, uma peregrinação até a Pátria definitiva.

Que desejem agradar a Deus todos os dias

É necessário que os filhos compreendam que o cristianismo não é uma ideia. "O cristianismo é Cristo! É uma Pessoa, é o que vive!" (João Paulo II). Viver a fé não pode jamais se resumir ao cumprimento de preceitos morais. Deve supor, primeiramente, conhecer e estabelecer uma relação com a pessoa de Jesus Cristo, uma verdadeira amizade. O desejo de agradar a Deus brotará naturalmente dessa relação. 
Cristo não deve ser encarado como alguém distante ou indiferente. É preciso ensinar os filhos a ter intimidade com Ele, partilhar com Ele sua vida, cultivar essa afeição. As crianças devem perceber Jesus como seu verdadeiro amigo, que os acompanha e os auxilia ao longo do dia, e que podem e devem recorrer ao seu auxílio e compartilhar suas angústias e dificuldades, assim como suas alegrias. Eles precisam ter a consciência de que Cristo se ofereceu em sacrifício porque nos ama a cada um de maneira pessoal e, por isso, devemos corresponder a esse amor. Essa proximidade também deve ser estimulada em relação ao Anjo da Guarda, à Virgem Maria e aos Santos. Tal amizade faz com que a busca pela santidade não se torne um pesado fardo de regras e restrições, mas sim um caminho suave, de quem deseja agradar aquele a quem ama.

Que se exercitem nas virtudes

A santidade pressupõe as virtudes e, de certa forma, também as tem como consequência. Crescemos em santidade conforme crescemos em virtude. Só é possivel amar a Deus e ao próximo sendo virtuosos, pois o amor é paciente, é prestativo, não se enche de orgulho, se alegra com a verdade...
Com as consequências do pecado original, o homem tende ao erro, à fraqueza, ao vício. O pecado induz o homem a viver segundo seus desejos e o torna egoísta. Para se tornar virtuoso, o homem tem de fortalecer a sua vontade, submetendo os desejos à razão, a carne ao espírito. Para tanto, são necessários o esforço humano e o auxílio da graça. Desse modo, quanto mais cedo se conquista as virtudes, menos árdua se torna essa batalha e os bons hábitos serão adquiridos muito mais facilmente. Os pais precisam conduzir os filhos no caminho das virtudes, praticando e estimulando as obras de misericórdia e dando eles mesmos o exemplo por uma conduta verdadeiramente cristã.

Que sejam desapegados do mundo e confiem piamente na providência divina

O apego ao mundo e, consequentemente, ao dinheiro, é hoje uma realidade tão enraizada no seio das famílias que gera, de fato, uma triste idolatria. Decisões, sonhos, metas e até brigas... tudo gira em torno do dinheiro. Infelizmente, essa mentalidade materialista acaba por ser transmitida aos filhos. Quanto mais apegadas as pessoas estão ao dinheiro, menos confiam na Divina Providência, tornando-se cada vez mais autossuficientes. 
Já o desapego nos abre as portas para a Providência e evita que os bens deste mundo se tornem valores absolutos. Ser desapegado não significa abrir mão das coisas materiais, mas sim confiar que Deus, em sua infinita sabedoria e bondade, nos dará aquilo de que necessitamos para nos santificarmos, seja a riqueza ou a pobreza, a saúde ou a doença. Muito mais que ensinados, a confiança na Providência e o desapego do mundo devem ser testemunhados pelos pais aos filhos. Eles devem ter a convicção de que ser bem sucedido nesta vida significa ser santo. Todo o mais é acréscimo.

Enfim, a real preocupação dos pais no que toca a edução dos filhos deve ser ensiná-los a amar a Deus, amar a Santíssima Virgem Maria e amar a Igreja. Esta é a meta e, ao mesmo tempo, o alicerce de toda a educação cristã. Mãos a obra! 
Que Deus nos abençoe e a Virgem nos proteja!

quinta-feira, 21 de maio de 2015

Em Maria, a perfeita feminilidade



 Por Tássila Maia

O livro do Gênesis narra que Deus criou o homem e a mulher. Deu origem à humanidade enxertando nos corpos e corações de Adão e Eva a masculinidade e a feminilidade, respectivamente, como um dom de complementariedade que os ajudaria a atingir a meta de todo o gênero humano: o amor. Desta forma, o plano original de Deus para a mulher incluía a vivência de sua feminilidade como caminho para realizar-se enquanto pessoa, utilizando-se das características próprias do gênero feminino para progredir no amor.
Infelizmente, após a entrada do pecado do mundo, o entendimento do ser humano ficou obscurecido e, assim, a aceitação e vivência da feminilidade cada vez mais necessitada da ação da graça divina para realizar-se plenamente. A natureza da mulher, manchada pelo pecado, tornou-se como que um obstáculo para a compreensão do plano de Deus para ela.
No mundo atual, após a conquista da “tão sonhada” emancipação feminina, os frutos podres do feminismo radical se manifestam. Lançando fora a complementariedade dos sexos e suplantando-a pela competitividade entre homem e mulher, diversos estudos já apontam para uma crescente infelicidade entre mulheres de todas as idades. Facilmente se conclui que a ascensão do feminismo dificultou para as mulheres – até mesmo para as cristãs – a percepção da feminilidade como via de autorrealização e, mais ainda, como caminho de salvação. “Elas se deixaram convencer que a feminilidade significava fragilidade”, aponta Alice von Hildebrand, doutora em filosofia pela Fordham University. Tal concepção deu origem a uma busca por imitar as características masculinas, desencadeando, assim, uma geração de “mulheres masculinizadas”, não no sentido superficial, como se isso se limitasse ao vestuário ou ao modo de falar, mas no sentido profundo de que as mulheres parecem estar menosprezando sua própria feminilidade. “O mundo atual acha-se totalmente desestabilizado porque a mulher não sabe mais quem ela é. Mais do que nunca, hoje se coloca de modo crucial o problema de sua identidade e de sua missão”, afirma a escritora francesa Jo Croissant, no início de seu livro “A mulher sacerdotal”.
Diante deste dramático quadro, onde encontrar um modelo, uma inspiração para a redescoberta da feminilidade cristã?
A resposta não poderia ser outra... Em Maria, a Virgem de Nazaré, o gênero feminino encontra a plenitude das virtudes que lhe são próprias. Nela, as mulheres possuem o seu seguro referencial. Escreve o Papa João Paulo II: “A Igreja vê, em Maria, a máxima expressão do ‘gênio feminino’ e encontra n'Ela uma fonte incessante de inspiração”. E bem resume Santa Teresa dos Andes: “A Santíssima Virgem é o modelo mais perfeito de nosso sexo”.
Algumas características virtuosas da Virgem Mãe de Deus merecem ser citadas como exemplos de conduta para o resgate da feminilidade cristã:

Receptividade à graça divina
Para ser uma mulher segundo a vontade de Deus, é necessário deixar-se modelar por esta Santa Vontade, ser receptiva à graça. Tal receptividade não significa passividade, mas sim confiar-se sem reservas ao desígnio divino. Sobre este ponto, comenta Alice von Hildebrand: “A mulher tem uma grande vantagem sobre o homem, ela é receptiva e religiosamente falante, receptividade é uma virtude crucial. A Santa Virgem nos ensinou quando Ela disse na Anunciação ‘faça-se em mim segundo a Vossa Palavra’. Ela não estava realizando nada, ela apenas disse: ‘faça-se’. Em outras palavras, ela era receptiva e sua receptividade permitiu ao Espírito Santo fecundá-la e naquele exato momento o Filho de Deus se encarnou no seu ventre. Santa Teresa de Ávila e São Pedro Alcântara dizem que muito mais mulheres que homens recebem extraordinárias graças místicas, e se você estudar a história do misticismo você ficará surpreso o quanto muito mais mulheres que homens foram místicos. Por quê? Elas são mais receptivas e você percebe que, para Deus, nós somos todas mulheres. Um santo se torna um homem santo porque ele aprendeu a ser receptivo à graça de Deus. ‘Dê-me a mim, Ó Senhor, eu não consigo fazê-la por mim mesmo’”.

Coragem
Assumir a feminilidade cristã requer coragem. Os modelos de mulheres apresentados pela sociedade atual não condizem – nem um pouco! – com o ideal católico. Dessa maneira, a coragem faz-se uma virtude indispensável para assumir-se mulher sem “conformar-se a este mundo”, como recomendava o Apóstolo. Estar aberta à vida, aos filhos que Deus enviar, estar disposta a entregar-se num matrimônio fiel por toda a vida, não submeter-se aos ditames da moda ou aos padrões estéticos estabelecidos... tudo isso se faz um grande desafio para a mulher cristã. Maria, ao responder “sim” à vontade de Deus assumiu todas as consequências de sua decisão. Sabia dos riscos e sofrimentos que tal escolha poderia causar (a rejeição de José, a incompreensão e até mesmo o apedrejamento!). No entanto, não hesitou em responder generosamente à sua vocação.

Silêncio e discrição
A Santa Virgem ensina a cada uma das mulheres que a alma, quando cheia de Deus, torna-se amante do silêncio. O Papa Francisco refletiu, em sua homilia do dia 20 de dezembro de 2013, sobre a relação entre Nossa Senhora e o silêncio: “Era silenciosa, mas dentro do seu coração, quanta coisa dizia ao Senhor! (…) Ela, com o silêncio, cobriu o mistério que não entendia e com este silêncio deixou que este mistério pudesse crescer e florescer na esperança (…) O silêncio é o que protege o mistério. Que o Senhor nos dê a graça de amar o silêncio, de procurá-lo e ter um coração protegido pela nuvem do silêncio". A feminilidade implica também saber preservar o mistério que é próprio da mulher. Ser discreta e silenciosa ajuda a equilibrar as emoções, falar com sabedoria, refletir sobre as decisões a serem tomadas e a comportar-se educadamente, como convém.

Delicadeza e modéstia
A virtude da modéstia resplandece em Maria, a “toda bela”. A mulher cristã deve espelhar-se na singeleza desta Virgem para modelar todo seu proceder. Aprender, com ela, a ser modesta primeiramente no coração, para assim transbordar essa tão bela virtude em seu exterior. As vestimentas, os gestos, o modo de falar, de olhar, todo o comportamento da mulher católica deve estar permeado desta delicadeza que exprime sua dignidade de filha de Deus.  Exorta-nos Santo Ambrósio: “Tem sempre diante de teus olhos a pureza, ou, para melhor dizer, a vida de Maria, como um quadro em que resplandece a perfeição das virtudes. Seja tua vida modelada pela de Maria, e aprende com ela o que deves corrigir, o que deves evitar, e o que deves fazer”.

Doação de si mesma
Por fim, a Mãe de Deus, como amou de modo perfeito, de modo perfeito entregou sua vida em oblação ao Senhor Deus. Esta oferta total de si, que se realiza de modo concreto no amor a Deus e ao próximo, manifesta-se de maneira particular na mulher. A gestação e o parto, por exemplo, são formas muito claras onde essa doação é vivenciada “ao extremo”. Nestas ocasiões, pode a mulher, de certa forma, afirmar: “Isto é o meu corpo dado por vós”, como maravilhosamente assinala Kimberly Hahn em seu livro “O amor que dá vida”. A feminilidade precisa ser assumida como verdadeira alegria em dar-se, consumir-se por amor. Não foi assim toda a vida de Maria?


No instante em que cada mulher cristã redescobrir o valor de sua feminilidade, espelhando-se em Maria, a quem Deus constituiu Rainha do Céu e da Terra, superior aos anjos e a todos os santos, neste momento acontecerá a verdadeira “revolução feminina”: aquela capaz de satisfazer o coração porque encontra-se plenamente alinhada ao plano amoroso de Deus. 

quinta-feira, 14 de maio de 2015

Qual é o momento certo para ter filhos?

Este é um dos questionamentos mais frequentes na vida de um jovem casal. As exigências do mundo atual são muito maiores que as de algumas décadas atrás. Os jovens já trazem consigo a grande responsabilidade de iniciarem a vida adulta tendo conquistado um bom salário, estabilidade financeira, a casa própria, carro e etc. Toda esta pressão, na maioria das vezes, acaba por adiar o início da vida matrimonial e, ainda mais, a vinda dos filhos. O grande problema é que esta nova realidade de mundo pouco a pouco tem corrompido o conceito de essencial, categorizando aquilo que é supérfluo como necessário. Isso impõe aos jovens a falsa impressão de que para terem sucesso na sua vocação de esposos e pais precisam, antes de tudo, destas conquistas temporais.
Na verdade, a vida moderna tornou-se uma espécie de prisão que em muitos casos faz com que os cristãos enxerguem de forma pejorativa ou superficial a Providência de Deus em suas vidas. A Providência deixa de ser o ponto de partida e o motor de toda a vida da família e passa a ser um pequeno detalhe dentro de um planejamento familiar.
Jesus, ao se referir a este assunto, não se utilizou de parábolas, mas quis expor seu ensinamento da forma mais clara possível, como narrado no evangelho de São Mateus (6, 25-34):
“Portanto, eis que vos digo: não vos preocupeis por vossa vida, pelo que comereis, nem por vosso corpo, pelo que vestireis. A vida não é mais do que o alimento e o corpo não é mais que as vestes? Olhai as aves do céu: não semeiam nem ceifam, nem recolhem nos celeiros e vosso Pai celeste as alimenta. Não valeis vós muito mais que elas? Qual de vós, por mais que se esforce, pode acrescentar um só côvado à duração de sua vida? E por que vos inquietais com as vestes? Considerai como crescem os lírios do campo; não trabalham nem fiam. Entretanto, eu vos digo que o próprio Salomão no auge de sua glória não se vestiu como um deles. Se Deus veste assim a erva dos campos, que hoje cresce e amanhã será lançada ao fogo, quanto mais a vós, homens de pouca fé? Não vos aflijais, nem digais: Que comeremos? Que beberemos? Com que nos vestiremos? São os pagãos que se preocupam com tudo isso. Ora, vosso Pai celeste sabe que necessitais de tudo isso. Buscai em primeiro lugar o Reino de Deus e a sua justiça e todas estas coisas vos serão dadas em acréscimo. Não vos preocupeis, pois, com o dia de amanhã: o dia de amanhã terá as suas preocupações próprias. A cada dia basta o seu cuidado.”
“Os pagãos é que se preocupam com tudo isso”, afirma Jesus. Quando se condiciona a abertura à vida a capacidades meramente humanas age-se como um pagão. Não cabe a um cristão traçar os rumos de sua vida mediante suas próprias potencialidades. É como se Jesus dissesse: “Por que ficais aflitos com a promoção no emprego ou com a prova do concurso? Por que vos inquietais com a faculdade ou com o mestrado? Por que vos preocupais com como conseguirá fazer a comida ou arrumar a casa? São os pagãos que se preocupam com tudo isso”. A exortação a não preocupar-se não representa um convite a viver na inércia, sem esforçar-se por criar condições melhores de vida, mas sim um convite a reflexão de que a vida do cristão deve estar inteiramente alicerçada em Deus e constantemente sujeita a sua Providência.
Em outro trecho do Evangelho, Jesus afirma que para conquistar o Reino de Deus é preciso ser como crianças (cf. Mt 18,3), ou seja, confiar incondicionalmente no Pai do Céu, que sabe das necessidades espirituais, emocionais e materiais de seus filhos. “Ora, vosso Pai celeste sabe que necessitais de tudo isso.” (Mt 6, 32b).
A Providência é o amor de Deus que governa o mundo, é a rocha na qual o casal cristão deve construir sua casa. Infelizmente, muitos tem preferido construir o seu lar na areia da sua própria autossuficiência, frustrando-se na primeira tempestade ou naufragando cada vez mais em seu próprio egoísmo. Um pai sabe o que o filho precisa, e todos os batizados tem um Pai! Não qualquer pai, mas Aquele que é onipotente e sumamente bom, que se preocupa e ocupa pessoalmente com a vida de cada um dos seus. “Quem dentre vós dará uma pedra a seu filho, se este lhe pedir pão? E, se lhe pedir um peixe, dar-lhe-á uma serpente? Se vós, pois, que sois maus, sabeis dar boas coisas a vossos filhos, quanto mais vosso Pai celeste dará boas coisas aos que lhe pedirem” (Mateus, 7, 9-11). Enquanto não houver confiança filial, será impossível dar os passos de fé que todo casal católico é convidado a assumir. Antes de ser pais, é necessário aprender a ser filhos do Divino Pai.
Finalizando seu ensinamento, afirma Jesus: “Buscai em primeiro lugar o Reino de Deus e a sua justiça e todas estas coisas vos serão dadas em acréscimo”. Hoje, muitos cristãos, ainda que sem intenção, vivem o oposto: “Buscai em primeiro lugar todas essas coisas e o Reino de Deus vos será dado em acréscimo.” Honestamente, Deus não se importa em qual escola seus filhos irão estudar, qual a marca do carro que irão comprar ou qual será o lugar que visitarão nas férias. Deus se importa com o quanto estão dispostos a se doarem por seus filhos. Deus se importa com o quanto estão dispostos a renunciarem do seu conforto ou posição social em prol da generosidade para com Ele.
Tolo é o homem que acredita poder planejar seu futuro com uma caneta e uma calculadora. Infeliz daquele que confia mais nos números de sua poupança que nas palavras do Evangelho.
E respondendo à pergunta que intitula o texto, o momento certo para ter o primeiro, segundo, terceiro ou os próximos filhos é quando o casal está pronto a se entregar a Providência Divina, empenhando-se a cada dia, com o auxílio da graça, para realizar plena e generosamente a vocação de serem pais. Na realidade, a generosidade da paternidade responsável não almeja uma fecundidade a conta-gotas, e a pergunta certa a fazer não é “quando devemos ter filhos?”, mas sim “quando não tê-los?”.
Que não se confunda abandono filial com irresponsabilidade. Que não se confunda prudência com calculismo. Que os desafios da abertura à vida sejam sempre motivos de alegria, não um peso. Não vos deixeis intimidar por sua própria fecundidade! O Pai Celeste cuida de vós!

quarta-feira, 13 de maio de 2015

Voltamos!

Olá, queridos amigos e leitores!

Estivemos inativos por algum tempo devido a afazeres pessoais relacionados a emprego, mudança e outras coisas.
Mas agora declaramos oficialmente aberta a temporada 2015 do In Carne Una! Em breve, retornaremos a postar periodicamente textos e também entrevistas.
Desejamos a todos uma ótima semana sob as bênçãos de Nossa Senhora de Fátima!

Um grande abraço!

segunda-feira, 2 de março de 2015

2° Aprofundamento In Carne Una: "Castidade, um desafio de amor"


Olá!
Neste domingo, 1° de março, tivemos a alegria de realizar mais um aprofundamento. Desta vez, com o tema: “Castidade, um desafio de amor”. O encontro aconteceu na Comunidade Bom Jesus, no bairro Retiro, e contou com a participação de cerca de 30 pessoas.
No encontro abordamos temas como: dom de si, pornografia, masturbação, modéstia, namoro, castidade conjugal, entre outros.

Mais aprofundamentos estão por vir! Fique ligado aqui no blog e acompanhe as novidades!

domingo, 23 de novembro de 2014

Nosso Encontro de Aprofundamento sobre Sexualidade!



       Com a graça de Deus, realizamos no último dia 20 (quinta-feira), nosso Encontro de Aprofundamento, com o tema: “A Sexualidade Humana no Projeto de Deus”. O encontro foi realizado na Comunidade Bom Jesus – Retiro, em Volta Redonda, e contou com a participação de cerca de 30 pessoas.


    Nos ensinamentos foram trabalhados os temas: Teologia do Corpo, o dom de si, liturgia dos corpos e paternidade responsável.

        Gostaríamos de agradecer ao Pe. Ronaldo Costa e à Comunidade Bom Jesus, que nos acolheram neste trabalho. Agradecemos também a todos os amigos que nos ajudaram a divulgar e realizar esse encontro.

Em breve, divulgaremos a agenda dos encontros de aprofundamento em 2015.


Um grande abraço a todos!


André Krupp e Tássila Maia



sábado, 25 de outubro de 2014

Não tenham medo!

Por André Krupp e Tássila Maia

Afirmava Chesterton: "O ideal cristão não foi considerado deficiente após testado. Ele foi considerado difícil e deixado de lado”. A abertura à vida, exigência do amor conjugal, parece ser um desses “ideais cristãos” deixados de lado. Quando o Papa Paulo VI, corajosamente, reafirmou na encíclica Humanae Vitae a posição da Igreja contra os anticoncepcionais foi rechaçado por grande número de fiéis e de clérigos, que consideravam tal postura “antiquada” e “retrógrada”. No entanto, a Igreja, sabiamente, nunca voltou atrás e, mesmo não agradando aos homens, não voltará, pois sabe que os contraceptivos ferem gravemente a dignidade do ato conjugal e, logo, prejudicam o matrimônio. A encíclica de Paulo VI, assim, recomendava, nos casos em que haja necessidade por motivos sérios, espaçar os nascimentos utilizando-se dos métodos naturais de controle da procriação.
Nesse contexto, surgiu nas últimas décadas um grande conflito interno na Igreja: enquanto a doutrina aponta para um caminho, a prática dos casais se faz completamente diferente. Arturo e Hermelinda, casal brasileiro com 20 anos de experiência em trabalhos com casais, em seu depoimento aos bispos e ao Papa no recente Sínodo da Família, testemunharam: “[...] temos que admitir sem medo que muitos casais católicos, mesmo os que procuram viver seriamente o seu matrimônio, não se sentem obrigados a usar apenas os métodos naturais. Nas Equipes de Nossa Senhora não é diferente. Devemos acrescentar ainda que geralmente não são questionados pelos confessores. Por um lado, os casais estão abertos à vida e rejeitam o aborto, isto é fato. Por outro, não percebemos nas pregações e atendimentos espirituais a insistência na doutrina da Humanae Vitae.
O mundo moderno rejeitou os ensinamentos da Humanae Vitae não por um fracasso prático ou uma discordância teológica, mas simplesmente porque se encontra imerso numa cultura fraca e egoísta. A revolução sexual, na tentativa frustrante de desvincular o amor da responsabilidade, acabou criando uma caricatura de amor, uma experiência de relação muito mais ligada à sensibilidade que ao compromisso (não só desvinculada do compromisso com o cônjuge, mas com Deus, com a Igreja, com a sociedade e com os filhos).
Influenciadas por esta revolução, observa-se hoje que, de um modo geral, as pessoas querem amar, querem doar-se, mas numa doação “segura”, cheia de reservas, de precauções. Querem ter o controle de todas as situações, se beneficiarem dos direitos do matrimônio sem cumprir os seus deveres, obter o máximo de prazer e o mínimo de sacrifício. As pessoas decidem se querem ou não ter filhos com a arbitrariedade de quem compra um carro. Não é este o desejo de Deus para o santo matrimônio!
O desejo de Deus é que o homem confie na sabedoria da Criação, que confie na sua Providência, que rege e governa o universo. O desejo de Deus é que as famílias tenham menos preocupações e um pouco mais de confiança, abrindo-se ao amor que gera vida. É preciso construir a casa sobre a Rocha e não sobre a areia das “seguranças mundanas”. O desejo de Deus é que os casais deixem de utilizar-se dos métodos anticoncepcionais e se abram a uma nova experiência. A experiência do amor total, livre, fiel e fecundo. Assim, o uso dos métodos naturais, motivado pela fé e obediência às leis divinas, é um grande ato de amor a Deus e um belíssimo testemunho.
A Providência de Deus permitiu ao homem tal sabedoria a ponto de conhecer com precisão os dias férteis da mulher e desenvolver métodos de controle da natalidade que, ao contrário dos contraceptivos, não anulam a fecundidade do ato conjugal. Permitiu que um dos ideais do matrimônio (abertura à vida) não fosse descartado devido a uma necessidade temporal (espaçamento dos nascimentos).
Quem vive a experiência dos métodos naturais na prática, afirma com alegria que eles favorecem o diálogo entre o casal e ajudam-no a educar a vontade, amando-se com amor cada vez mais humano. A misericórdia de Deus Pai não abandona seus filhos em suas necessidades! Abrir mão deste amparo não faz nenhum sentido.
Os cristãos são convidados, hoje, a serem sal da terra e luz do mundo, comportando-se de forma diferente da apregoada por este mundo neopagão, enxergando os filhos como bênção e a lei de Deus como jugo suave.
Eis o convite da Igreja aos casais que hoje ainda se utilizam de contraceptivos: conheçam os métodos naturais, tirem suas dúvidas, abram-se a essa experiência.
“Não vos conformeis com este mundo, mas transformai-vos pela renovação do vosso espírito, para que possais discernir qual é a vontade de Deus, o que é bom, o que lhe agrada e o que é perfeito.” (Romanos 12, 2)

segunda-feira, 15 de setembro de 2014

O que é castidade conjugal?

Por André Krupp e Tássila Maia

Diz o Catecismo a Igreja Católica (§2349): “Existem três formas da virtude da castidade: a primeira, dos esposos; a segunda, da viuvez; a terceira, da virgindade. Nós não louvamos uma delas excluindo as outras. Nisso a disciplina da Igreja é rica.” E ainda: “As pessoas casadas são convidadas a viver a castidade conjugal; os outros praticam a castidade na continência”. Mas o que a Igreja quer dizer quando emprega o termo “castidade conjugal”?
A palavra castidade designa uma virtude ou um exercício no qual os desejos são submetidos à vontade. Quando a razão tem, na pessoa, um maior “poder de persuasão” que as paixões. Inclui o conhecimento e o domínio de si próprio.
O termo “castidade conjugal”, então, significa a vivência de uma sexualidade ordenada no casamento segundo a razão e não subjugada aos impulsos da sensualidade. Obviamente, razão esta iluminada pela fé no que diz respeito à moral.
Na prática, a castidade no matrimônio implica, basicamente, três fatores: a fidelidade, a justa moderação e a abertura à vida.

A fidelidade

Um casamento só é vivido castamente quando há fidelidade.
Pela sua própria natureza, o amor conjugal exige dos esposos uma fidelidade inviolável. Esta é uma consequência da doação de si mesmos que os esposos fazem um ao outro. O amor quer ser definitivo. Não pode ser ‘até nova ordem’. Esta união íntima, enquanto doação recíproca de duas pessoas, tal como o bem dos filhos, exigem a inteira fidelidade dos cônjuges e reclamam a sua união indissolúvel.” (Catecismo da Igreja Católica, § 1646)
O sexo é um ato próprio do matrimônio. Sendo o matrimônio uma união indissolúvel, o sexo fora do casamento fere a castidade conjugal, pois fere diretamente a aliança estabelecida entre os esposos, sinal da aliança de Deus com o homem.
A fidelidade nada mais é que uma atribuição do amor. O verdadeiro amor é sempre fiel. Escreve o Pe. Javier Abad Gómez, em seu livro “Fidelidade”: “A ninguém que saiba amar é necessário ensinar fidelidade.”
A exigência da fidelidade por toda a vida – “até que a morte os separe” – conduz os esposos a vivenciarem o mesmo amor com o qual Cristo amou a sua Igreja, um amor que permanece fiel até as últimas consequências. A fidelidade exprime a constância em manter a palavra dada. Deus é fiel. O sacramento do matrimônio introduz o homem e a mulher na fidelidade de Cristo à sua Igreja. Pela castidade conjugal, eles dão testemunho deste mistério perante o mundo.” (Catecismo da Igreja Católica, § 2365)

A justa moderação

O prazer sexual deve ser encarado como uma consequência da doação total de si ao outro, e não como um fim em si mesmo. Sendo assim, para viver a castidade conjugal, faz-se necessário ter em vista uma justa moderação na busca pelo prazer, afim de não tornar-se escravo do mesmo nem fazer do cônjuge um mero objeto.
“Foi o próprio Criador Quem [...] estabeleceu que, nesta função [da geração da prole], os esposos experimentassem prazer e satisfação do corpo e do espírito. Portanto, os esposos não fazem nada de mal ao procurar este prazer e gozar dele. Aceitam o que o Criador lhes destinou. No entanto, devem saber manter-se dentro dos limites duma justa moderação.” (Papa Pio XII, 29 de Outubro de 1951)
Quando se reduz o ato sexual à pura sensibilidade e o prazer torna-se o seu fim, o casal inicia uma verdadeira “odisseia sexual”, uma jornada interminável na busca de estímulos cada vez maiores. Seguindo por este caminho, acabarão por escravizar-se, e o sexo já não será sinal da doação total entre si por amor. Nas Sagradas Escrituras, o Arcanjo Rafael instrui Tobias a esse respeito: “O anjo respondeu-lhe: Ouve-me, e eu te mostrarei sobre quem o demônio tem poder: são os que se casam, banindo Deus de seu coração e de seu pensamento, e se entregam à sua paixão como o cavalo e o burro, que não têm entendimento: sobre estes o demônio tem poder.” (Tobias 6, 16s)
É preciso estar atento quanto às motivações para a relação sexual e não deixar-se levar apenas pelos desejos da carne. Não se pode fechar a vida sexual à graça santificadora do Espírito Santo. A castidade conjugal é “vida no Espírito”. Quando um casal ora por sua vida sexual, não alcança somente graças, mas permite que o próprio Espírito de Deus os conduza um ao outro no amor e para o amor.

A abertura à vida

A contracepção exime o ato sexual de qualquer responsabilidade. É uma doação com reservas, o que acaba por também reduzir o sexo à pura sensibilidade, ferindo gravemente sua dignidade. Não se pode doar-se inteiramente ao usar contraceptivos. Não se pode experimentar profundamente a união das pessoas quando existe na relação tão grande reserva.
“Com efeito, a contracepção não é apenas uma ação sem sentido; é uma ação que contradiz o sentido essencial do verdadeiro relacionamento conjugal, pois este deveria expressar uma autodoação incondicionada e total. Ao invés de se aceitarem mútua e totalmente, os cônjuges que utilizam anticoncepcionais rejeitam uma parte do outro, uma vez que a fecundidade é parte de cada um deles. Rejeitam uma parte do seu amor mútuo: o poder de dar fruto.” (Cormac Burke, Amor e Casamento)
A contracepção é fruto de uma cultura de morte. Os mesmos propagadores da contracepção são os que defendem o aborto e, em alguns casos, o infanticídio. Os católicos, por outro lado, defendem a vida não só com palavras, mas com o seu testemunho, inclusive no que diz respeito à própria fecundidade. Desse modo, caso haja a necessidade de espaçar os nascimentos, pode-se, por amor à vida e respeito ao Criador, lançar mão de métodos naturais, abstendo-se das relações sexuais durante os períodos férteis. Sem a abertura à vida, não se pode falar em castidade no matrimônio.

Viver a castidade conjugal não significa simplesmente seguir um conjunto de normas, mas sim viver a sexualidade segundo o projeto amoroso de Deus: um amor de fidelidade, de entrega total, livre de toda a escravidão. Um amor que dá vida. 

terça-feira, 9 de setembro de 2014

Santas leituras, socorrei-nos!

Por André Krupp e Tássila Maia

Infelizmente, a maioria dos brasileiros não possui o hábito da leitura. Até mesmo nas universidades, facilmente se percebe que poucos são aqueles que cultivam esta prática. É de se espantar o número de catequistas que não leem (ou que nem conhecem) o Catecismo da Igreja, assim como a quantidade de famílias inseridas em pastorais e na evangelização com escasso conhecimento da doutrina.
É preciso compreender que, num mundo extremamente racionalista como o de hoje, não se pode colocar à parte o conhecimento da fé. Para vencer o desafio de ser sal da terra e luz do mundo não bastam apenas piedade e boa intenção, se faz também necessário, mais do que nunca, “dar razão à nossa esperança” (cf. 1 Pd 3, 15). Segundo afirma Santo Atanásio, não se encontrará um fervoroso servo de Deus que não seja dado à leitura de livros espirituais.
Quando um casal inicia a construção de uma família, promete, diante do altar de Deus, educar os filhos na fé da Igreja. Isso significa transmitir conhecimento e valores a uma criança. Mas como transmitir aquilo que não se tem? Como educar os filhos na fé se não a conhecem, ou a conhecem superficialmente? Acaso um servente de pedreiro poderia dar aula numa universidade de engenharia? Somente a prática, desprovida de formação, não capacita ninguém para a educação. É preciso conhecer e viver os ensinamentos de Deus para, então, ser capaz de transmiti-los com êxito.
Sendo assim, torna-se urgentíssimo aos casais realizarem um rompimento com a cultura brasileira do “não ler”. Obviamente, existem hoje outros meios válidos para adquirir o conhecimento da fé, mas nenhum deles é capaz de substituir a leitura. O papa nunca deixará de escrever documentos para postar vídeos no Youtube (ainda que vídeos do papa no Youtube fossem o máximo!). Os “meios adicionais de ensinamento” como: blogs, vlogs, pequenos cursos, filmes, sites, etc... podem ser úteis para esclarecer dúvidas, introduzir a compreensão de um assunto ou receber informações atualizadas, mas nunca serão capazes de assumir o papel da leitura, lugar primordial da formação.
Para os cristãos leigos de hoje, o conhecimento da doutrina católica (principalmente a respeito do matrimônio, sexualidade, família e filhos) é como o óleo para a lamparina das virgens no Evangelho (cf. Mt 25, 1-13): não tê-lo seria falta de prudência. Ensina Santo Afonso de Ligório: “A leitura de bons livros não foi proveitosa aos santos unicamente em sua conversão, mas em toda a sua vida, para se manterem firmes no caminho da perfeição e fazerem cada vez maiores progressos nele. São Domingos beijava seus livros espirituais e apertava-os amorosamente ao coração, dizendo: 'Estes livros dão-me o leite que me sustenta'.”
Concluindo, há de se ter claro que a leitura é um hábito que requer investimento. Primeiramente, investimento de tempo, reservando alguns minutos ou horas do dia para sua prática e, também, investimento financeiro, com a aquisição gradativa de bons livros. Muitos títulos se encontram disponíveis na internet, e é possível realizar também círculos de leitura e troca de livros entre famílias.

Quer construir sua casa sobre a Rocha? Então, já passou da hora de despedir-se da preguiça intelectual! 
"Seja perseverante nas orações e nas santas leituras." (São Padre Pio)

quarta-feira, 3 de setembro de 2014

Meu filho vai ter nome de santo!

Por André Krupp e Tássila Maia

Já na adolescência, é comum às mulheres gastarem horas pensando em quais nomes darão para seus futuros filhos (afinal, os chamarão por estes nomes pelo resto da vida!). Diversos pontos são ponderados: os nomes que mais gostam, algum familiar ou artista que querem homenagear, os nomes da moda ou que surgem como tendência, etc... É importante dar bastante atenção ao nome que se colocará num filho. Mas, para nós, católicos, a escolha de um nome deve ir além de uma ponderação de gostos, levando-se em conta, principalmente, o significado cristão daquele nome.
Diz o Catecismo da Igreja (§2158): “Deus chama a cada um por seu nome. O nome de todo homem é sagrado. O nome é o ícone da pessoa. Exige respeito, em sinal da dignidade de quem o leva”. Somos batizados em nome de Deus. Em nome de Jesus é que nossos pecados são perdoados e diante de Seu nome todo joelho se dobra nos céus, na terra e nos infernos (cf. Fl 2,10). Vemos, assim, que o nome não é um elemento supérfluo, mas constitutivo da pessoa.
Quando um casal cristão escolhe um nome para seu filho, o dá no Batismo, que o insere no seio da Igreja. “No Batismo, o nome do Senhor santifica o homem, e o cristão recebe o seu próprio nome na Igreja. Este pode ser o de um santo, isto é, de um discípulo que viveu uma vida de fidelidade exemplar a seu Senhor. O ‘nome de Batismo’ pode também exprimir um mistério cristão ou uma virtude cristã. Cuidem os pais, os padrinhos e o pároco para que não se imponham nomes alheios ao senso cristão” (Catecismo da Igreja Católica, §2156).
Uma tradição muito forte que vem perdendo espaço nos últimos tempos é a celebração do onomástico (santo com o mesmo nome da pessoa). Ao escolher um nome de santo para o filho, os pais escolhem também um padroeiro, um intercessor no céu que acompanhará por toda a vida aquela pessoa com amor, suplicando a Deus por ela. Em alguns países, o dia do onomástico é mais comemorado que o dia do próprio aniversário, com direito a festa, presentes e muitos “parabéns”.
Os beatos Zélia Guérin e Luis Martin, pais de Santa Teresinha, por exemplo, inseriram “Maria” no nome de todos os filhos, como sinal de agradecimento à Virgem Santíssima.
Aos futuros pais, fica a preciosa dica: resgatem esta tradição! Deem nomes santos aos vossos filhos e celebrem, junto com eles, seus onomásticos. Isso com certeza os ajudarão na caminhada rumo à pátria celeste.